Tag: inovação

  • À espera de um ROI: investimentos bilionários em IA, expectativas e desafios

    À espera de um ROI: investimentos bilionários em IA, expectativas e desafios

    Afinal, o que impede as IAs Generativas de avançar ainda mais? 

    Empresas globais têm investido bilhões de dólares em inteligência artificial generativa, visando a melhorar suas operações. No entanto, a promessa de retorno sobre o investimento ainda não se concretizou para a maioria, exceto em casos isolados de uso. Segundo Jensen Huang, CEO da Nvidia, em sua palestra no GTC (Graphics Technology Conference), as transformações essenciais na computação estão remodelando todos os setores, não apenas o tecnológico.

    A Nvidia está no centro da revolução da IA Generativa, impulsionada pelo lançamento do ChatGPT pela OpenAI em 2022, que impressionou o mercado com suas habilidades de imitar a comunicação humana. Apesar do rápido crescimento da indústria e dos substanciais investimentos de grandes tecnológicas como Microsoft, Amazon e Google, o desafio permanece na capitalização do potencial da GenAI. 

    A Nvidia, dominando mais de 90% do mercado de hardware para treinamento de modelos de linguagem, destaca-se como uma das poucas beneficiadas até agora.

    Entre expectativas e realidades

    Expansão em software e serviços: centenas de fornecedores de software otimizaram seus produtos para integração com a GenAI, enquanto investidores de risco direcionaram bilhões para startups emergentes.

    Projeções financeiras otimistas: segundo um relatório da McKinsey publicado em 2023, estima-se que a GenAI pode adicionar anualmente entre US$ 2,6 trilhões e US$ 4,4 trilhões à economia global, principalmente em automação de operações de clientes, marketing, vendas, engenharia de software e P&D.

    Compromisso empresarial com GenAI: segundo pesquisa da KPMG, que atua no Brasil como firma de Auditoria Externa, 97% dos líderes empresariais planejam investir em GenAI nos próximos 12 meses, com investimentos substanciais previstos em diversas faixas monetárias.

    Inovação em modelos de linguagem: Amr Awadallah, CEO e cofundador da Vectara, destaca a evolução dos grandes modelos de linguagem, que agora são capazes de entender, raciocinar e analisar em múltiplos idiomas e campos do conhecimento, superando a simples repetição de informações.

    Desafios técnicos e éticos: existem várias barreiras que impedem a eficácia total dos LLMs (Large Language Models), incluindo alucinações dos modelos, falta de transparência nos resultados, problemas de direitos autorais e questões de segurança. Esses desafios são cruciais para empresas como a Vectara e outras no setor.

    Burocracias regulatórias

    Legislação europeia sobre IA: a União Europeia aprovou a Lei de IA, que proíbe certas aplicações e exige aprovação prévia para outras, refletindo preocupações regulatórias crescentes.

    Ações corporativas cautelosas: o Google interrompeu a geração de imagens no seu modelo Gemini devido a preocupações com a precisão histórica das imagens. A OpenAI, por sua vez, optou por não lançar publicamente seu novo Voice Engine, que pode clonar vozes com apenas uma amostra de 15 segundos, devido aos riscos potenciais, especialmente em contextos sensíveis como anos eleitorais.

    Escassez de hardwares

    No aspecto de hardware e latência, a demanda explosiva por GPUs, impulsionada pelo desenvolvimento de LLMs, levou a uma escassez e aumento de preços dos chips. 

    Empresas como Nvidia, Intel e AMD, bem como novos entrantes como Cerebras e Hailio, estão intensificando a produção para atender a essa demanda. 

    Veio para ficar ou é apenas “hype”?

    Ainda é incerto se a comunidade de computação conseguirá superar todos os desafios e realizar plenamente o potencial da IA Generativa. 

    Críticas recentes indicam que a tecnologia pode ter sido superestimada inicialmente. Por exemplo, uma análise da Sequoia, publicada pelo Wall Street Journal, revelou que os retornos financeiros de investimentos significativos em GPUs Nvidia por parte de empresas de IA ainda são modestos.Gary Marcus, professor da NYU, e Demis Hassabis, líder do Google DeepMind, também expressaram preocupações sobre a sustentabilidade e as práticas no setor de IA. Apesar dessas incertezas, os LLMs e a IA Generativa apresentam promessas revolucionárias para a interação humano-computador, embora o alcance e o tempo dessas mudanças permaneçam indefinidos.

  • Entenda em 5 pontos como a regulamentação do Marco Legal de CT&I pode aproximar empresas e universidades no Brasil

    Entenda em 5 pontos como a regulamentação do Marco Legal de CT&I pode aproximar empresas e universidades no Brasil

    Indústria, universidades e governo agora podem interagir de forma mais intensa no Brasil, graças à regulamentação do Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio do Decreto 9.283/2018, publicado em fevereiro deste ano. A expectativa das comunidades científica e empresarial é que o texto traga segurança jurídica para a realização de projetos em colaboração, de modo que o conhecimento produzido nas universidades chegue, efetivamente, ao mercado, gerando riqueza para o país.

    Em seus 86 artigos, o Decreto modifica nove leis – dentre as quais a da Lei de Inovação (Lei nº 10.973/2004) – e traz uma série de definições, instrumentos, restrições e condições. Destacamos, a seguir, alguns pontos que representam oportunidades de maior aproximação entre indústria e academia.

    1 – A administração pública agora pode estimular e apoiar alianças estratégicas e projetos de cooperação em P&D entre empresas e universidades. Desde 2004, a Lei de Inovação permitia, por exemplo, que as empresas tivessem laboratórios – para fins de pesquisa – dentro de universidades públicas, mas essa parceria não ocorria justamente por falta de segurança jurídica. Agora, o Decreto autoriza e diz como esse tipo de apoio pode ocorrer.

    2 – Outra novidade é que as instituições científicas e tecnológicas (ICT) públicas, agências de fomento, empresas públicas e sociedades de economia mista podem se tornar “sócias” minoritárias de empresas cuja atividade principal seja a inovação. Essa participação pode ocorrer de forma direta – com ou sem coinvestimento de um investidor privado – ou indireta – por meio de fundos de investimento constituídos com recursos próprios ou de terceiros.

    3 – A regulamentação do Marco Legal de CT&I também muda a situação dos pesquisadores empreendedores, que agora podem pedir afastamento de ICT públicas para empreender, montar uma startup e desenvolver atividades empresariais durante um período de tempo. O Decreto também autoriza que os pesquisadores interajam com a indústria para desenvolver novas tecnologias.

    4 – O documento trata do estímulo à inovação nas empresas, regulamentando a ampliação dos mecanismos de subvenção às micro, pequenas e médias empresas, o bônus tecnológico, a possibilidade de o governo fazer encomendas tecnológicas diretamente à indústria; e o apoio a projetos de inovação.

    5 – As universidades têm propriedade intelectual sobre o conhecimento produzido em seus domínios. O Decreto autoriza que elas transfiram para parceiros privados o direito de exploração e uso dessa propriedade, com recompensa financeira ou não, que pode ser a participação no capital social da empresa.

    Contexto histórico e abertura à mudança

    Conforme destaca a professora e vice-diretora da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), Liedi Bernucci, no Brasil, a reconhecida dificuldade de promover a aproximação entre academia e setor privado é um desdobramento de peculiaridades históricas. “No pós-Guerra, nossas políticas industrial e de Ciência e Tecnologia seguiram caminhos próprios, com raros pontos de interseção. Ou seja, o desenvolvimento científico ocorreu sem a participação do desenvolvimento industrial e vice-versa”, esclarece.

    Em decorrência disso, complementa Liedi, houve um tempo em que se dizia que universidades e empresas tinham culturas próprias, inconciliáveis. E, ainda hoje, esse é um grande problema, sobretudo no caso das instituições de ensino públicas.

    “Aparentemente, há um descompasso ideológico em parte de nossas universidades que vê essa relação como uma possível intromissão do setor privado no seu dia a dia ou algo que não esteja ligado aos seus objetivos. Gostaria muito de ver essa realidade aqui no Brasil modificada, colocando-nos mais próximos do que acontece em países como a Alemanha, por exemplo”, reforça o presidente da Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII), José Rizzo.

    Na mesma linha, o reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) – instituição associada à VDI-Brasil – e presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB), Benedito Aguiar Neto, avalia que “as amarras burocráticas e componentes ideológicos têm contribuído muito para esse distanciamento” e salienta que, agora, o desafio é promover mudanças nessa cultura que se cristalizou.

    Ainda que o Decreto traga indicativos de simplificação do relacionamento entre o mercado e a academia, mudanças efetivas dependerão de como o documento será recebido e interpretado pelos órgãos de controle e de sua apropriação pelos diferentes atores – empresas, universidades, instituições de pesquisa e governo.

    “Tenho convicção que a partir de um diálogo aberto e da identificação dos ‘pain points’ dos possíveis parceiros, muitas das barreiras ainda existentes serão derrubadas e se compreenderá que as dificuldades não são tão grandes como ainda se pensa”, finaliza o reitor do Centro Universitário FEI, professor Fábio do Prado.

    Já pensou em como sua empresa pode se beneficiar da regulamentação do Marco Legal de CT&I? Tem interesse em discutir como a cooperação entre indústria e academia pode impactar positivamente a produtividade de sua empresa? Faça parte do nosso cluster de Produtividade Industrial e aprofunde-se no tema!

  • P&D Industrial no Brasil: onde estamos e para qual direção vamos?

    P&D Industrial no Brasil: onde estamos e para qual direção vamos?

    Soaria estranho, até pouco tempo atrás, ouvir que duas empresas concorrentes, como o Aché Laboratórios e a Eurofarma Laboratórios, vão trabalhar juntas em um projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), certo? Mas é exatamente isso o que vai acontecer. Os dois laboratórios acabaram de se unir a uma unidade credenciada à Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) – o Centro de Química Medicinal de Inovação Aberta (Cqmed), da Unicamp – em uma parceria inédita dentro da indústria brasileira de fármacos, oficializada em 29 de janeiro.

    O objetivo é pesquisar novas moléculas para o desenvolvimento de anti-infecciosos, como antibióticos e anti-parasitários, além de medicamentos para o tratamento de câncer. Para tanto, o projeto terá investimento de R$ 8,4 milhões. Cada farmacêutica investirá R$ 400 mil por ano, durante os próximos seis anos. Já a Embrapii financiará R$ 1,8 milhão por empresa com recursos não-reembolsáveis.

    As vantagens deste tipo de parceria vão além da troca de experiências, conhecimentos e profissionais, envolvem a divisão de riscos, economia de recursos financeiros e diminuição da redundância na pesquisa. Mas ainda que a colaboração e os investimentos privados em P&D permitam aprimorar processos industriais e aumentar a competitividade, criando um ambiente para o surgimento de parceiros, no Brasil, ainda são poucas as empresas que investem em P&D.

    “A grande maioria das empresas industriais brasileiras não possui centros de pesquisa e, por conseguinte, não desenvolvem PD&I. Em consequência, não sentem a necessidade de contratar pessoal qualificado para desenvolver projetos de pesquisa aplicada, investem muito pouco em PD&I e claramente, não produzem patentes”, comenta o diretor-presidente da Embrapii, Jorge Almeida Guimarães.

    O pró-reitor de Pesquisa e Desenvolvimento da UniSociesc, Marcelo Teixeira dos Santos, lembra que: “Nos países europeus, em média, 80% dos doutores encontra-se em setores de desenvolvimento da indústria ao invés de estarem na universidade, como é no Brasil, ou seja, essa característica mostra que o combustível do motor da inovação, o conhecimento, está dentro da indústria, a ciência e a tecnologia são aplicadas diretamente na solução dos desafios da indústria”.

    Indicadores

    Os últimos indicadores divulgados pelo MCTI – de 2013 – mostram que a participação de empresas no dispêndio em P&D naquele ano foi de apenas 40% do total nacional. Na Alemanha, o percentual empresarial representou, no mesmo ano, 68% do total.
    Também é tímido o número de patentes internacionais que as empresas no Brasil detêm.

    Divulgação feita pela revista Pesquisa Fapesp, tratando exclusivamente de patentes obtidas por empresas, revelou que, de 2011 a 2015, para cada 10 mil pesquisadores empregados, as empresas do Brasil obtiveram 32 patentes no Escritório de Patentes dos EUA (USPTO). Para as empresas da Alemanha, os mesmos 10 mil pesquisadores criaram 648 patentes.

    No Brasil, também há apenas 3 empresas (sendo a primeira uma multinacional) entre os 10 maiores solicitantes de patentes – os 7 restantes são universidades e institutos de pesquisa. Na Alemanha, entre os 10 maiores solicitantes, 9 são empresas.

    “Hoje, é inviável produzir uma patente sem um conhecimento científico profundo, visando gerar um novo produto. A Embrapii nasce sabendo que as empresas pouco dispõem de centros de P&D. E, sem pesquisa, pouco se avança em inovação. Então, nossa missão básica é contornar as dificuldades adotando um modelo diferenciado de atuação para incentivar e fomentar PD&I na indústria brasileira, envolvendo o setor acadêmico qualificado capaz de oferecer ao segmento industrial competência técnico-científica para atender demandas de pesquisa aplicada das empresas”, ressalta Guimarães.

    Conforme reforça o pró-reitor de P&D da UniSociesc, para que a indústria brasileira tenha possibilidade de sobreviver nos próximos anos, seu investimento em PD&I precisa crescer. “É uma questão de independência científica e tecnológica, ou continuaremos exportando café a R$ 8 por quilograma e importando cápsulas de café ao custo de R$ 800 por quilo!”, alerta.

    Mudança à vista?

    As crises econômica, política e ética instaladas no Brasil nos últimos anos, a complexidade tributária e os altos custos trabalhistas, por exemplo, compõem um ambiente hostil para o crescimento dos investimentos privados em PD&I. Contudo, é necessário ter em mente que a recuperação econômica depende, em boa medida, da habilidade de inovar e da eficiência na gestão de projetos industriais, em busca de competitividade.

    Como mostra o exemplo do Aché e da Eurofarma, os investimentos em P&D e na cooperação por meio da inovação aberta são fundamentais, seja através de colaboração externa ou de equipes próprias que criam novas áreas de negócios.

    Uma pesquisa de outubro de 2017, da assessoria Altivia Ventures, especializada em aconselhamento para fusões e aquisições, revelou que há 87 empresas no País com programas de corporate venture, sobretudo de setores que tradicionalmente já investem em P&D, como as indústrias química e farmacêutica e as de tecnologia.

    E como estão os investimentos em PD&I na sua empresa? Participe do Cluster Produtividade Industrial da VDI-Brasil, no qual engenheiros experientes e em cargos de liderança expõem suas experiências e juntos pensam em ações que podem ser adotadas por toda a indústria.